Fiscalização de ILPIs: o que pode fechar sua instituição em minutos
- Rieli Gonçalves
- 16 de nov. de 2025
- 4 min de leitura
A interdição de uma Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI) não acontece “de repente”. Ela é quase sempre consequência de falhas documentais, sanitárias e administrativas que, muitas vezes, passam despercebidas pela gestão. O problema é que qualquer irregularidade formal — mesmo aquelas consideradas “simples” — pode levar à suspensão imediata das atividades, ao afastamento de idosos e até à responsabilização civil e criminal dos administradores.
Por isso, se a sua ILPI deseja funcionar com segurança, previsibilidade e proteção jurídica, é indispensável manter todos os documentos essenciais atualizados e disponíveis. A ausência de qualquer um dos itens abaixo pode ser interpretada como indício de risco ao idoso e resultar em interdição cautelar.
A seguir, apresento os principais documentos exigidos para que uma ILPI esteja regularizada — os mesmos que são verificados nas fiscalizações — e que precisam estar organizados, visíveis e válidos.
1. Documentos essenciais de constituição e autorização de funcionamento
Estes são os primeiros documentos que qualquer órgão fiscalizador pede. Se faltarem, o risco de interdição é imediato.
✔ CNPJ ativo com CNAE correto (8711-5/02)
Instituições com CNAE incorreto podem ser consideradas irregulares, mesmo pagando tributos.
✔ Contrato Social, Estatuto ou Ato de Criação
Confirma que a ILPI existe juridicamente; a ausência gera bloqueio de qualquer regularização subsequente.
✔ Alvará de Funcionamento
Precisa estar válido e com a atividade correta. Alvará vencido = funcionamento irregular.
✔ Licença Sanitária
ILPI é considerada estabelecimento de alto risco sanitário. A falta da licença, ou até mesmo do protocolo de renovação, é uma das causas mais frequentes de interdição.
✔ Certificado de Aprovação do Corpo de Bombeiros (ou Laudo de Exigências)
Sem comprovação de segurança contra incêndio e pânico, a instituição pode ser interditada no mesmo dia da fiscalização.
✔ Registro no Conselho Municipal do Idoso
Obrigatório para todas as ILPIs, públicas e privadas. A ausência caracteriza funcionamento clandestino.
2. Documentos de salubridade e higiene do ambiente
A falta de qualquer destes documentos é interpretada como risco direto aos residentes.
✔ Comprovante de Limpeza dos Reservatórios de Água + Laudo de Potabilidade
ILPIs devem comprovar periodicamente que a água consumida é segura.
✔ Comprovante de Controle de Pragas e Vetores
Somente empresas credenciadas podem realizar o serviço.
✔ Licença e contrato das empresas terceirizadas (alimentação, lavanderia, limpeza)
A instituição responde solidariamente pelos serviços, mesmo quando terceirizados.
3. Documentos obrigatórios sobre os residentes e o serviço prestado
Aqui está o que mais gera problemas: ausência de registros essenciais da rotina e do cuidado.
✔ Contratos de prestação de serviços assinados com cada idoso/família
Devem seguir a legislação específica. Sem contrato, o serviço pode ser considerado exploração ou abuso.
✔ Plano de Atendimento Individualizado (PAI)
Obrigatório. Sem ele, considera-se que não há cuidado personalizado nem acompanhamento técnico.
✔ Registro de Grau de Dependência de cada residente
É a partir dele que se determina o número mínimo de cuidadores e profissionais exigidos.
✔ Prontuários multiprofissionais completos
A falta configura negligência.
✔ Comprovantes de vacinação dos residentes
Documento frequentemente exigido após a pandemia.
4. Documentos de notificação e monitoramento de riscos
Esses documentos mostram se a ILPI cumpre obrigações legais diante de eventos graves.
✔ Registros de notificação compulsória
Quedas com lesão, tentativas de suicídio, óbitos, violência, agravos de saúde etc.
✔ Controle mensal de eventos sentinelas
Ex.: quedas, lesões de pele, desidratação, diarreia, óbito.Instituições que não apresentam esse controle são vistas como desorganizadas e de risco.
✔ Relatório consolidado anual enviado à Vigilância Sanitária
ILPIs que não enviam podem sofrer advertência, multa e interdição.
5. Documentação de Recursos Humanos
Sem equipe adequada e comprovada, a ILPI é considerada irregular.
✔ Declaração de Responsável Técnico com formação superior
Função obrigatória, com carga mínima de 20h semanais.
✔ Escalas, folhas de ponto, contratos e vínculos formais de toda a equipe
Falta de comprovação caracteriza subdimensionamento ou ausência de assistência mínima.
✔ ART dos profissionais de saúde, quando exigida pelo conselho de classe
✔ Comprovação de capacitações periódicas da equipe
Por que tudo isso importa?
A fiscalização não busca apenas “papel”. Ela verifica se a vida, a dignidade e a segurança do idoso estão protegidas.
Quando falta um documento, presume-se que falta controle, gestão, planejamento ou condições mínimas de funcionamento. E isso leva diretamente a:
Interdição parcial ou total
Fechamento imediato
Transferência compulsória dos idosos
Responsabilização civil e criminal dos gestores
Perda de credibilidade com famílias e órgãos públicos
Impossibilidade de firmar parcerias
Como evitar a interdição?
A regularização documental não deve acontecer apenas quando “o Ministério Público bate à porta”.
Ela precisa ser constante, sistemática e acompanhada por profissional especializado.
Muitas ILPIs são interditadas não por falta de estrutura, mas por pequenos detalhes legais que poderiam ser corrigidos com orientação adequada.
Se a sua ILPI não tem todos esses documentos organizados, você está correndo risco.
A boa notícia é que cada uma dessas pendências pode ser regularizada, desde que haja planejamento jurídico e técnico que auxilie as instituições a:
✔ organizar toda a documentação obrigatória;
✔ criar fluxos internos que evitam autuações;
✔ regularizar licenças e registros;
✔ adequar equipe mínima;
✔ montar POPs e planos técnicos;
✔ responder a vistorias, notificações e exigências
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